Entre elas se encontra o famoso “Duomo”, uma das catedrais góticas mais belas que o leitor poderá contemplar.
Comumente, teve-se a idéia, durante muitos anos, de que as catedrais góticas realizadas com formas simples, e ao mesmo tempo extraordinárias, ganhariam muito se fossem coloridas. Falava-se até da escura Idade Media. Hoje em dia, graças aos numerosos estudos e investigações que se tem feito a respeito, sabe-se que, de fato, assim o eram e que só posteriores reformas e o passar do tempo nos privaram de tão magnífico espetáculo.
No entanto, não ocorreu o mesmo com a Catedral de Orvieto, cuja fachada povoada de coloridos mosaicos chama a atenção de todos aqueles que com ela se deparam. Bem poderão ser tomados estes pela impressão de que a construção foi terminada “ontem”, tal é a vida das cores. Tendo como fundo o dourado, cor rútila e esplendorosa entre as que existem, as vivas cores, definidas, com personalidade e com vida própria transmitem uma alegria serena que convida à elevação do espírito a Deus.
A harmonia entre as formas e as cores parecem ter alcançado um perfeito equilíbrio em Orvieto. E ainda que suas paredes não nos transmitam a inigualável beleza da pedra polida pelo tempo, sua estupenda formosura apresenta-se desafiante ante qualquer outro estilo que se queira construir perto dela.
E se todas as catedrais podem ser consideradas frutos do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, esta, a de Orvieto, o é a um título muito especial.
Corria o ano de 1263 quando um sacerdote, tentado com dúvidas a respeito da presença real de Cristo na Eucaristia, assistiu admirado a um estupendo milagre: a Hóstia Consagrada começou a verter Sangue, chegando a tingir o corporal sobre o altar. Este milagre — que levou Urbano IV a estabelecer a festa do Corpo de Cristo— está na origem da construção desta catedral, cuja finalidade é a de abrigar dito corporal, que até hoje ali se encontra em um magnífico relicário.
Tudo nesta Catedral é de uma beleza extraordinária. É este um dos mais preciosos frutos de uma era na qual, segundo afirmou Leão XIII, a filosofia do Evangelho governava as nações.
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